#216 Carnis Levale


As memórias de um tempo já ido, batem-nos à porta por vezes, qual
purgatório a que estamos condenados a dedicar todas nossas preces, 
no Altar do Ilusório. E não lhe podemos recusar entrada.
 
A subtileza da circunferência surge assim uma vez mais demonstrada: percorrida em toda a sua área, tudo converge novamente até ao mesmo ponto inicial, que revisito qual movimento perpétuo.
 
Na caruma do tempo, piso agora gotas de água entrelaçadas. Como as… mãos. 
 
Chove cá dentro (mas como pode ser possível se faz tanto sol lá fora?). Uma estrela caiu, estatelou-se no chão. Levantou-se depois, mas já perecida, sussurrou-me pétalas em tons de azul e partiu. Para não mais voltar.
 
Gostava de ter ido com ela e visitar todos os planetas. Dentro e fora do nosso sistema solar. Quem sabe ficar um pouco numa nuvem e finalmente respirar.
 
Carnis Levale Tempus… é tempo de alguns mascararem a contrição, com sorrisos e purpurinas variadas.
 
As pessoas sem gente dentro festejam, felizes e contentes, em torno do Altar que o teu dEUS erigiu e em torno desse novo/velho cordeiro de ouro disfarçam, principalmente o que ainda não conhecem.
 
Não querem ou não conseguem. Não querem, portanto.
 
Despertar nem sempre é bom. Mas despertar foi preciso.
 
P r e c i s o de
 
 
f i c a r
 
s a i r
 
 
 
D es pe
 
r
 
tar
 
é
 
 
p r e c i s o
continuar.
 
 
a chuva cai a potes, mas já não a vês.