#47 O ciúme

O ciúme mata e corrói.
 
Que levante o dedo quem nunca os teve… entre amigos, entre irmãos, entre namorados, entre marido e mulher.
 
Mas mais importante que os ter, é saber controlá-los e progressivamente eliminar esse sentimento mesquinho do nosso vocabulário de vida.
 
Desde sempre que tenho poucos ou nenhuns ciúmes. E que não pense o leitor que tal é incompatível de ter amado as pessoas com quem estive/estou. Muito pelo contrário.
 
Ainda assim, quando existem os tais (poucos) a verdade é que os sei gerir bem, sabendo-os passageiros e fruto ainda de algo que tenho de trabalhar em mim: o sentido involuntário de desejar ter a posse de alguém/algo. 
 
Sei isso sim, que qualquer relação (seja qual for o modelo) que assente na necessidade da posse, está condenada ao fracasso. Mais cedo ou mais tarde.
 
O que amamos deixamos livre, para que siga o seu natural curso. Está, parte e volta. Se tiver que ser.
 
Ora, acresce a forma eventualmente de tendência minoritária que tenho de estar na vida, desde sempre, em que defendo que “ninguém é de ninguém”, mas sim que numa relação seja de que tipo for, se acorda estar-se junto, partilharmo-nos e eventualmente fazer algumas cedências a bem do todo, mas que nunca comprometam a nossa essência.
 
Por isso me custa a compreender o ciúme. E acabo por desprezá-lo mesmo.
 
Bem sei que para muitos, “só sente ciúme quem ama”. Mas para mim, “quem ama, educa o ciúme e quem quer amar-se a si mesmo e ao mundo: acaba um dia com o ciúme”.
 
Temos aproximadamente um século de vida, nesta forma física. Para sermos felizes, conhecermos o mundo, partilharmo-nos e depois partir.
 
Não há tempo para o ciúme. Para a dor que dele advém. Para essa e para outras.
 
É cair e levantar! E de preferência não nos darmos sequer condições para cair. 
 
É que:
 
 
“Cada dia que passa, há isso sim, cada vez menos tempo para sorrir.”